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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Passos errados


Capítulo1...

Ali me deparava novamente a sofrer os efeitos de uma junção de várias substâncias que se classificam de droga. Ria de um jeito solitário junto dos meus colegas. O momento conduziu a um riso em grupo. Naquele momento apenas e a minha cabeça parecia existir, não pensava em nada. Era em nada que queria pensar, razão pela qual fumava.

Os meus colegas não sabiam o que devastava a minha mente, por vezes nem eu próprio sabia. Havia dias em que travado, parado, isolado em casa, cogitava sobre a vida e chorava sem razões, como se esta fosse mais fácil gotejando. Quanto fumava, esquecia o meu pai, verbalizando que nada faço e pronunciando que pouco valo. Para ele, escrever e cantar era zero e tudo para além do seu trabalho não tinha valor. Nunca percebi qual o mal de investir em algo em que acreditamos conseguir imprimir algum valor.

Tinha parado 30 minutos da minha vida, meditando em nada e meus amigos já tinham saído. Dirigi-me a casa, subi as escadas que me afastavam do meu quarto, peguei em meu caderno e escrevi. Atualmente escrevia o que apelidava de “a minha própria existência”. Não era algo que milhões de pessoas tencionassem ler, mas era algo que me permitia uma determinada dose de satisfação quando o fazia. Escrevia sobre o meu dia-a-dia, o que pensava e, sobretudo o que vivia. Nunca gostei de repetir os meus erros, lutava para que as pessoas os conhecessem e não caíssem sucessivamente como comigo acontecia. Atualmente era apenas um livro, um rascunho com rabiscos, com letras que apenas eu compreendia.

Um novo dia começou e com ele a sujeição de ir à escola. Estava somente dependente de uma disciplina, razão pela qual não possuía motivos para me queixar de falta de tempo livre. Fui mais cedo para a escola e como era hábito parei primeiro no spot, a fim de encontrar os meus amigos, mas ninguém estava presente. Decidi então passear pela escola sozinho, para passar algum tempo. Não existia ninguém nas redondezas.

Era engraçado como em tempo de aulas a escola ficava tão tranquila. Tão oca. Tão sem vida. Era um contraste claro com o intervalo, sinónimo de euforia e confusão. No meio de toda aquela solidão consegui avistar uma menina. Ela se encontrava sentada sobre a relva, ouvindo música no que parecia ser um iPod. Parecia ser mais nova que eu e vestia uma roupa preta e rasgada. Tinha o cabelo tingido por duas cores, loiro e preto e os seus olhos encontravam-se coloridos com um forte negro. Embora a descrição pareça negativa, tudo isso lhe conferia beleza. Passei atento a ele, não conseguia simplesmente desviar o olhar, como também não conseguia apenas passar. Decidi aborda-la.

- Gosto muito dessa música que ouves – disse tentando colocar assunto. Fiquei por momentos esperando por uma resposta, mas o som impediu que ela tivesse ouvido o que disse.
- O que disseste? – disse ela.
- Disse que gostava bastante da música que ouves.
- Conseguias ouvir? Não pensei estar tão alto – disse ela impressionada. - Sim conseguia e a alguma distância, mas tudo bem, também aprecio música alta. E me chamo Tiago e tu?
- Catarina, mas toda a gente me trata por Kate.

Depois de um alguns minutos de conversa, trocamos um beijo durante o tempo restante para o intervalo. Depois tocada à campainha, fomos embora por caminhos diferentes. Passei a aula de matemática pensando na tal Kate. Além de bonita, era inteligente, simpática e muito divertida. Acabada a aula dirigi-me ao spot, para me encontrar finalmente com o pessoal.

Caminhei pouco, visto que o spot se distanciava por poucos passos da minha escola. No curso recordei a relva onde Kate havia estado sentada. Agora se encontrava desabitado. Recapitulei nossa conversa e relembrei igualmente o seu agradável sorriso. Fiquei satisfeito por avistar os meus amigos passos à frente. Não demorei muito e após uns minutos de conversa segui rumo a casa.

Cheguei à casa pouco depois. Estava vazia. Minha mãe ainda trabalhava, faltava cerca de uma hora para o almoço. Liguei o computador e minha cabeça brilhou com a ideia de procurar a suposta Kate no Facebook. Presumia-me que ela deveria ter e que não seria difícil de encontrar. Vi a hora passar rapidamente, sem encontrar nada, sem a encontrar. Pensava agora como tinha sido tão estúpido ao ponto de não pedir contato. Nem telefone, nem e-mail, rigorosamente nada. Tinha de encontrá-la novamente, e desta vez tinha de lhe pedir contato. Não poderia ser assim tão difícil, a escola não é tão imensa, e encontrar uma pessoa deve ser fácil.

Minha mãe chegou. Almocei calado e saí logo em seguida, não conseguia ficar em casa, sabendo que aquela menina se encontrava por aí à solta. Não tinha aulas, nem vontade de entrar na escola, mas foi o que fiz, e confesso ter passado à tarde dentro de da escola, para frente e para trás, sem sinal dessa tal “miúda”. Decidi desistir, e ir ao spot que agora se encontrava vazio, para poder refletir. Avistei o local, e avistei alguém. Afinal não estava vazio como pensava estar, mas quem estaria lá? Não conseguia ver-lhe a cara. Apenas podia dizer que tinha uma pessoa lá e se encontrava a fumar. Decidi aproximar-me e dizer olá. Há medida que aquela pessoa levantou a cabeça, consegui perceber que era a Kate, com olhos de quem tinha fumado no só um simples cigarro, mas sim, um saco inteiro de drogas.

- Tu? – disse ela assustada.

Fiquei tipo uma estátua, parado, sem mexer um músculo, não a aguardava ali naquele exato momento. Não naquele local. Tinha uma determinação enorme em encontra-la até agora, mas depois de vê-la, sobretudo naquelas condições não sabia o que disser ou como reagir. Pensei que aquele local, era apenas nosso. Pensei que apenas eu e os meus colegas soubessem da sua existência. O famoso spot, não passava de uma casa lindíssima agora abandonada e coberta de musgo e sujeira, com apenas uma divisão tratada, divisão essa que abarcava agora sofás sem qualquer indício de pó e uma mesa apenas.

Kate encontrava-se sentada num desses sofás, contraída e de cabeça entre os braços que a tapavam em conjunção com uma carapuça. A admiração dela era perceptível na sua cara, tal como eu não deveria esperar visitas. Ganhei forças e decidi falar, precisava saber o que fazia ela ali, sobretudo naquelas condições. 

- Olá. Prazer em ver-te. O que fazes aqui e o que raio se passou contigo para está nesse estado? – perguntei eu, ansioso por receber uma resposta.
- Pensei ser a única a conhecer este local, confesso que me admirei com os sofás novos, mas nunca encontrei ninguém aqui há esta hora – respondeu ela, deixando a segunda parte da pergunta pendente.
- Estes sofás foram recuperados por mim e pelos meus colegas, e também pensei que fossemos apenas nós a conhecer este local.
- Isso quer dizer que não me querem aqui? – disse ela com ar preocupado.
- Não, nada disso, posso falar com eles, mas neste momento quero falar contigo.
- Comigo? Que fiz eu?
- Não me vai contar porque estás nesse estado? Ou vai continuar a fugir da questão? – disse eu com maior rigidez na voz.
- Não posso, nem quero – disse ela se levantando.
Ao levantar-se Kate acabou por desmaiar e cair no chão mesmo à minha frente. Entrei em pânico, não sabia o que fazer. Sabia que não podia ligar a uma ambulância, com a dose de droga que ela haveria consumido iria ter problemas. Achei que a melhor solução e a mais sensata seria leva-la para minha casa. Foi o que fiz...

Continua...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hoje eu quero...


Eu não posso mais ouvir tua voz. Se isso acontece, um arrepio vem e me sobe o corpo até eu me contorcer fechando os olhos. Eu poderia falar de nós e o quanto eu estou diferente. Mas hoje eu quero falar sobre corpo. Sobre vontade. Sobre desejo. Sobre entrega. Sobre posse. Quero que as palavras românticas vão pra puta que o pariu. Hoje eu quero abusar de palavras de baixo calão e olhar no teu olho com vontade de te comer. Hoje, o que eu quero são movimentos intensos e firmes. Quero liberar tudo o que tá preso dentro dos meus desejos. E para isso, eu preciso de você. Hoje, eu quero me perder em mim. Eu quero que você se perca em mim. Desejo você. Quero sentir a vontade saindo pelos teus poros. Quero nosso suor junto. Desejo teu beijo. Quero que ele rasgue minha boca. Não quero mais nada além dos nossos corpos. Quero esquecer a vida. Quero que estes momentos sejam eternos e se repitam enquanto pudermos até não ter mais força ar. Quero que você me dê vida na sua cama. Quero que você me faça esquecer tudo o que existe no mundo. Hoje, eu quero te amar intensamente. Quero mostrar o fogo de Sagitário. Quero queimar a minha carne. Quero que minha alma peça pra eu parar. Foda-se a dor. Foda-se quem tiver próximo. Quero me afogar em você. Quero me perder. Quero sentir. E quero que teus olhos fixem junto com os meus. Ah, eu quero você em cima de mim, me olhando nos olhos e dizendo que eu sou só sua.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Encontro!


Fui. Imaginava que era roubada, mas fui. Afinal, o que eu tinha a perder além de mais uma noite improdutiva? E se desse certo, se fosse diferente das outras noites? Não havia um bom motivo que me fizesse recusar o convite.

No primeiro momento tudo correu dentro da expectativa. Nada de extraordinário, nem bom, nem ruim.
Tudo normal. Sentamos à mesa de um bar, conversamos sobre o que havíamos feito naquele dia, preferências musicais, filmo gráficas e artísticas em geral – muitas das quais em comum –, nossos pais, infância, objetivos na vida e sobre o fim de semana que nos conhecemos.

Naquele dia em que nenhum de nós estava dado às interações sociais, encontramos no fumódromo o esconderijo perfeito para “uma conversa social”. Ironicamente, foram nessas condições que um puxou papo com outro. Eu de coração partido, ele de saco cheio.

Trocamos algumas palavras, fizemos piadas sobre os malucos que ali passavam, cantarolamos trechos de nossas músicas favoritas e por fim apagamos os cigarros. Antes, porém, de voltar à pista de dança onde minhas amigas se encontravam, ele pergunta meu nome e se poderia anotar meu telefone. Não houve recusa, e junto com o número, trocamos também contatos em redes sociais. Foi assim que tudo começou.

Aos poucos, fui me dando conta de que aquele ser on-line não se parecia com aquele outro da área de fumantes. Fossem talvez pelas doses de vodca ou pela atmosfera da noite, não havia notado algumas peculiaridades do moço. Algumas não tão agradáveis, mas não suficientes para esquivar do encontro proposto pouco depois. E como já dito, lá fomos nós. Dois desiludidos, eu com o amor, ele talvez com o mundo.

E então, chegou aquele momento do encontro em que o assunto acabou e o único ato previsto para revogar o clima frio que se instalou em nossa mesa era a chegada iminente de um beijo. E nesse instante, recapitulei tudo que ele havia dito neste dia, coisas que até então desconhecia sobre o ser. O término de longo relacionamento, os vícios excessivos com álcool, drogas e festas, o mundo irreal e inconsequente que ele por vezes se submetia, a relação complicada com os pais, o desemprego momentâneo. Nem tudo era ruim, afinal, ninguém é totalmente bom ou mau, mas foram tais características que minha mente se dedicou a trabalhar.

O beijo não aconteceu. Nem os possíveis contatos após o derradeiro encontro. Não sei quais foram as impressões dele sobre mim, acredito também não ter agradado. Não houve briga, raiva ou asco. O desapontamento pareceu mútuo. Às vezes as coisas são realmente da forma como imaginávamos. A noite se encerrou ali, com um até breve que sabíamos que não existiria.